"Não adianta sonhar com o que é feito apenas de fantasia e querer aspirar ao impossível. A felicidade é a aceitação do que se é e se pode ser."
MÃE, Valter Hugo. O filho de mil homens. São Paulo, Cosac Naify, p. 77
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6.2.19
23.7.13
18.7.13
espaço x tempo
Então eu estava lá. O que durante toda a vida tinha sido a lembrança de uma foto, uma imagem congelada, existia, e eu estava lá.
Lá onde ele esteve.
Eu quis que a relação de tempo desaparecesse. Que os trinta anos que separavam aquela foto de hoje pudessem ser encurtados. Que o passado e o hoje se tocassem.
De alguma forma, esse contato aconteceu.
Hoje Portugal não é mais feito só de memórias emprestadas, mas também das minhas.
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16.7.13
11.7.12
Love and lost
"com a morte, também o amor devia acabar. ato contínuo, o nosso coração devia esvaziar-se de qualquer sentimento que até ali nutrira pela pessoa que deixou de existir. pensamos, existe ainda, está dentro de nós, ilusão que criamos para que se torne todavia mais humilhante a perda e para que nos abata de uma vez por todas com piedade. e não é compreensível que assim aconteça. com a morte, tudo o que respeita a quem morreu devia ser erradicado, para que aos vivos o fardo não se torne desumano. esse é o limite, a desumanidade de se perder quem não se pode perder."
valter hugo mãe. a máquina de fazer espanhóis. p.21
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29.6.12
It's finally Friday
Sim, um homem que fala português, pra variar...
***
Meu Deus, que semana puxada! Ainda não dormi, ela ainda não acabou, mas parece que o dia do repouso se aproxima. Daí queria algo que animasse a mim e a esse blog e me ocorreu essa pessoa. Porque homem bonito é bom, mas homem bonito que poderia ser o vizinho é anda melhor!
Nunca gostei do tipo mais atlético, o mais exótico, "o mais". Gosto dos vizinhos, dos colegas de trabalho, de classe, do cara do metro, da voz do amigo do delivery de comida chinesa... Deus abençoe todos eles, os que posso e não posso ter, que me alegram cada um a sua maneira.
***
Então Portugal foi eliminado da Euro e fiquei triste. Talvez esse seja o motivo real pelo qual meu subconsciente lembrou do Ricardo Pereira. Foi bonito ver a seleção crescer a cada jogo com Pepe, Cristiano, Moutinho, todos enfim. Foi bom ter ido tb à Casa de Portugal, ficar cantarolando o hino durante a semana... e o cachecol vai continuar estendido na janela, dane-se quem achar ruim.
Lembrei da Euro de 2004, aquela derrota foi bem mais sofrida, sem dúvida. Ficamos quase aos prantos em casa... Aquela seleção tinha outro Ricardo Pereira, goleiro que agarrava muito. Ficou na memória gritar "Ricaaaaaaaardo", do mesmo jeito que gritamos "Rogéeeeeeeerio" :)
***
Então tá, solucionada a relação entre Ricardos, uma soneca antes de terminar o trabalho, que já é muuuuuito tarde...
***
Atualização: Estava bolando pelo site da TPM e encontrei esse vídeo do Ricardo, daí achei que já que é pra se inspirar com o homem, por que não?
PS: Dormi, finalmente.
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sexta-feira
3.2.12
Top 5 on Friday
In English
1. U2 - An cat dubh
2. Radiohead - Weird fishes/Arpeggi
3. The Twilight Singers - Blackbird and the fox
4. Pearl Jam - Rats
5. B-52's - Rock Lobster (not my favorite but Peter Griffin's version is pretty good)
Em Português
1. Titãs - Felizes são os peixes
2. Paralamas - O rouxinol e a rosa
3. Madredeus - A andorinha da primavera
4. Rita Lee - Ovelha negra
5. Marisa Monte - Borboleta
(no video available) :(
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29.12.11
Uma Flor no Metro, Em Nome do Amor
Reblogged from The Contents of My Head
Repasso a vocês esse post, que me encheu de alegria e esperança. Queria fazer algo assim também, mas a minha ação teria que se ajustar ao fato de que não passo seis meses no mesmo lugar :)
Depois dessa, começo 2012 com o coração renovado. Obrigada, José.
Repasso a vocês esse post, que me encheu de alegria e esperança. Queria fazer algo assim também, mas a minha ação teria que se ajustar ao fato de que não passo seis meses no mesmo lugar :)
Depois dessa, começo 2012 com o coração renovado. Obrigada, José.
***
É dia dos namorados, 14 de Fevereiro, em Lisboa. Um jovem entra num restaurante, para um “jantar de encalhados”. Gente sem namoro reunida para uma refeição cercada por casais e flores e velas e beijinhos. Sairá comprometido com o peculiar projecto de espalhar o amor pelos subterrâneos da capital, plantando diariamente flores na última carruagem do metro, linha azul, a partir de Santa Apolónia. Mas ainda não sabe.
Há uma rosa na mesa e a brincadeira dita que fique para quem estiver “encalhado” há mais tempo. José, 28 anos, denuncia-se e fica com ela. No regresso a casa, olha a alavanca que serve para accionar o sinal de alarme do metro e engendra uma brincadeira romântica para acabar o dia. Escreve uma mensagem: “Só me volto a encontrar contigo quando apanhares a flor que vai no metro da linha azul”. Envia e fica à espera.
A rosa não chega ao destinatário. Nem a segunda flor, enviada no dia seguinte, nem a terceira. Enquanto falha, mais uma vez, pensa: “Isto teria piada se fosse para toda a gente”. E é com esta reflexão que nasce a ideia de, durante um ano, plantar uma flor no sinal de alarme do metro. Uma por dia, sem falhar, endereçada a quem a encontrar. Cada flor leva um aforismo e pede resposta, por carta, “para obrigar as pessoas a parar”.
“A paixão é tremoço, o amor é azeitona”
“Perdeu-se uma coisa, ganhou-se outra”, lembra José ao PÚBLICO, relativizando a insucesso da primeira empreitada, com destinatário certo. “Estava com vontade de escrever à mão cartas de amor, bilhetes. E [esta ideia] foi um estímulo para escrever todos os dias, para fazer um exercício de escrita criativa: escrever frases de amor, definições ou não, que me surgem no dia-a-dia. Coisas patéticas como ‘A paixão é tremoço, o amor é azeitona’. E qualquer pretexto serve. As frases são inesgotáveis.”
Esta é a parte prática da história de José, que não revela o resto do nome porque considera que o seu anonimato coloca a ênfase no projecto, que designou Sinal de Alarme. O título tem uma origem absolutamente prosaica, como acontece com os aforismos: é na alavanca do sinal de alarme do metro que as flores são postas a circular por Lisboa. O conceito é construído em cima dessa mundanidade.
O mesmo acontece, por exemplo, com o destino das flores, o fim da linha azul: à vista desarmada é apenas Amadora; numa perspectiva romântica, é o “feminino de quem ama”. É isso que o Sinal de Alarme faz: transforma o quotidiano em romance e assume posições. Incluindo em momentos importantes da vida nacional, em dia de eleições, de manifestações ou greves, na declaração do fado como Património da Humanidade. “A paixão faz greves, o amor faz revoluções”, lia-se a 24 de Novembro, dia de greve geral.
É a política a imiscuir-se nos afectos. José não tem qualquer pejo em assumir o seu carácter interventivo: “O amor também é política. Claro que é. E é importantíssimo que assim seja. O amor tem de se comprometer com alguma coisa”. Mas não se fica por aí: há a questão das flores, de onde as vai apanhar. “O Banco de Portugal, na Almirante Reis, tem um canteiro fantástico. E, por uma questão de justiça social, vou deixar de as comprar e passar a levar as do Banco de Portugal. Quando estiver sem flores, eu assumo as culpas. Só tenho de ter cuidado com aquilo, que pica.”
O crime e a resposta
Santa Apolónia é uma estação terminal e os maquinistas têm de sair da cabine da carruagem que, com a mudança de direcção, se transforma na última, percorrer todo o veículo e entrar na cabine lá na outra ponta. No minuto que essa operação dura, José planta a flor no sinal de alarme e tira uma fotografia. Não pode fazer uma coisa nem outra – e sabe que está a ser vigiado, através das câmaras –, mas nunca foi incomodado.
Nem pelos responsáveis do metro, nem pelas pessoas que, sobretudo em hora de ponta, enchem a estação. “Às vezes encostam-se ao sinal e é mais complicado [pôr a flor]. De resto, não dizem nada. São poucos os curiosos que vão ver o que aquilo é”, observa. As reacções chegam-lhe sobretudo via Facebook, onde mantém uma página dedicada ao Sinal de Alarme, com fotografias de cada “crime” e com as respostas que recebe.Foi através daquela rede social que um maquinista partilhou a fotografia de uma flor que colheu no metro. É naquela rede social que os “fãs” do Sinal de Alarme gostam, comentam e partilham as melhores frases, que ficam abismados com os desvarios proporcionados pelas bodas do projecto – a cada 50 ou 100 dias que passam, José faz acompanhar as flores de objectos estranhos, como um vaso de alface, uma camisa ou um abacaxi; na última boda, já neste mês, um bacalhau seguiu em direcção à Amadora. “A ideia é fazer sorrir as pessoas que vão para o trabalho, muitas vezes sob stress”, diz.
“O Sinal de Alarme provoca sorrisos deliciosos nas pessoas mais sisudas e sérias”, conta, revelando que nunca acompanhou uma flor durante todo o percurso. A escolta, às vezes, dura apenas duas paragens. “Não fico muito tempo. O meu papel é pôr a flor. Depois, o metro que a leve e as pessoas que façam o que quiserem.” Algumas apanham-na e nada dizem; outras enviam perguntas por e-mail; outras ainda aceitam o desafio de responder por carta. Não muitas: sete, uma das quais a partir do Canadá.
As cartas são anónimas. Faz parte das regras – afinal, são respostas a um “crime”. “As pessoas escrevem de forma mais livre, mais pura, sem se comprometerem com nada. É uma forma de desabafarem, de se conhecerem um pouco melhor. É mais para elas que para mim”, sublinha. “O acto de parar, sentar, pensar, pegar na caneta e começar a desenhar as letras é importante. O Sinal de Alarme é mesmo uma paragem. Como no Caos Calmo [filme de Antonello Grimaldi], quando o Moretti perde a mulher e passa todo aquele tempo parado, sentado no banco. É isso que faz falta. Se accionares o sinal de alarme no metro, ele pára. As cartas são isso: parar para avançar.”
“O que ando aqui a fazer?” Esta é a pergunta que José quer que as pessoas façam a elas próprias. “Só se pensa nisto quando ficamos doentes ou morre alguém. Hoje, as pessoas estão a ficar completamente soterradas”, lamenta, antes de construir uma ponte entre o quotidiano cinzento das grandes cidades e as possibilidades do amor, que “também assusta muito”.
“O que vou fazer com as cartas, não sei. Tenho de arranjar uma forma de as plantar. Não sei o que vou fazer com isto. Passado um ano gostava de ter vida”, desabafa. Entretanto, gostaria de ver o projecto contaminar outras paragens. “As pessoas seriam mais sãs. Já desafiei pessoas de outras cidades, mas não aceitaram. Porque isto tem de ser todos os dias: o amor é todos os dias. Acordas todos os dias, comes todos os dias... o amor é todos os dias. Pode estar alguém à espera e se a flor não chega...”
Sem férias
O Sinal de Alarme não falhou um único dia. E a ideia é que assim continue até 14 de Fevereiro de 2012, quando completar um ano. É o comprometimento sem mácula de que fala José e pelo qual abdicou de tudo que, ao longo deste ano, pudesse comprometer o projecto: férias e viagens, festas, funerais e aniversários, sono. “Houve um dia em que não pude mesmo, mas a flor foi lá posta por outro louco apaixonado pela poesia e o amor.”
“Tive medo de não conseguir fazer isto todos os dias. No início, era um impedimento: tinha de ir ao metro todos os dias e colocar lá a flor, estar sempre no mesmo local. Mas isto já se tornou tão rotineiro que tenho medo do que vai acontecer a 14 de Fevereiro, da desabituação. Já faz parte de mim.”
José é de Vila Nova de Famalicão. Na Páscoa, obrigou a família a descer até Lisboa, onde vive, para a refeição festiva. É assim tão sério. Mais tarde, a avó, de 88 anos, teve de viajar sozinha até à capital para matar saudades do neto, que há muito não ia à terra natal. “A minha família sabe da flor, mas não sabe que é por isso que não vou lá acima. Se souberem, internam-me. Digo que é por causa do trabalho, tenho vergonha de dizer que é pela flor. Se digo à minha avó, ela pensa que estou choné”, brinca.“Não fui de férias, não viajei, fiquei várias vezes sem hora de almoço, gastei dinheiro em táxis, em flores. Fui a velórios, mas não a funerais”, recorda. No aniversário da mãe, fez uma “visita de médico”, de surpresa. Vai e volta todas as sextas-feiras a Braga, por causa do doutoramento na Universidade do Minho. Nunca fica no norte.
Nas últimas legislativas, a 5 de Junho, fez parte de uma mesa de voto em V.N. Famalicão, como é seu hábito. Foi e voltou no mesmo dia: chegou às 5h a casa, foi para as mesas de voto às 7h, ficou até às 19h e uma hora depois estava em Campanhã, no Porto, a apanhar o comboio para Lisboa.
É um destes ralis de transportes públicos que José está a fazer neste Natal, que foi passar a casa, com a família. A consoada é um interlúdio no frenesi do amor, antes de novo regresso a Lisboa, para não falhar. Porque “é importante fazer uma coisa todos os dias, sem falhar. Como uma mãe que vai acordar o filho todos os dias, dar-lhe um beijo, carinho. O resultado, depois, é exponencial. Se todas as pessoas escrevessem todos os dias, por exemplo, seria óptimo para os Correios. Talvez não precisassem de ser privatizados.”
in Publico
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21.8.11
Weekend's games
Fim de semana bom pra ficar na frente da TV: clássico com o SPFC, final da copa sub-20 de futebol e, quem diria, muitos jogos de seleções de rugby na ESPN, dentre eles uma transmissão ao vivo(!) do jogo dos All Blacks. Comecemos por eles então:
20.08 - Tri-Nations Cup: All Blacks v. Springboks
Esperava com ansiedade por esse jogo, pois até então só havia conseguido assistir a vts e postagens no You Tube de jogos da seleção neo zelandesa. Time com escalação muito diferente do normal, claramente pra tirar as últimas dúvidas sobre a convocação para a Copa do Mundo, que rola mês que vem. Claro que todo torcedor quer que seu time leve todos os títulos, mas copas só acontecem a cada 4 anos e nesse é na própria Nova Zelândia, gerando aquele sentimento de obrigação de ganhar em casa. Por isso, acho que as críticas foram muito exageradas, chegando ao extremo com Piri Weepu dando retweet nas mensagens de preconceito e ódio enviadas por um torcedor apenas pelo fato do jogador ter congratulado o desempenho da seleção sulafricana. Talvez seja o medo da zica em copas que provocou esse mar de críticas (e a idiotice de alguns). Ou quem sabe seja um dos efeitos da pressão midiática sobre o esporte, assim como todo e qualquer assunto da seleção brasileira (de futebol) sofre por aqui
Bom mesmo foi poder assistir a tantos jogos de rugby! (Valeu ESPN Brasil!) E eu ainda ia pro campo acompanhar o Campeonato de SuperX rolando na arena Band, não fosse a chuva e essa gripe que não me larga.
20.08: Final da Copa Sub-20: Brasil v. Portugal
Confesso que, depois de tanto rugby, esqueci e perdi a partida dessa final. Quando peguei já estavam os portugueses aos prantos e todo aquele confete em cima do Oscar. Cada vez mais me incomoda no futebol a possibilidade de um time irregular e com baixo desempenho possa levar o título, ao invés daquele que teve uma campanha exemplar ao longo da competição, como aconteceu ontem. Mas aí estamos, Oscar o novo Neymar, mais um candidato a santo pra salvar seleção em 2014, até que ele erre e apareça alguém pra dizer que nunca achou que ele fosse grande coisa.
Quem me conhece sabe que torço por Portugal quando se trata de seleção de futebol, por isso lamento duplamente o resultado de ontem.
Pra além do jogo, nada foi mais decepcionante do que essa do Henrique não querer jogar mais no São Paulo. Conversando aqui em casa, concluímos que não vale mais a pena para time nenhum manter uma formação de base, quando na primeira oportunidade o empresário começa um canto de sereia e convence o jogador a ir pro primeiro que prometa (e eu enfatizo, prometa) pagar mais, sem pensar na construção de uma carreira sólida. Faço votos que seja rapidamente vendido pra algum time russo e congele no frio da Sibéria, esquecido pela CBF e o mundo.
21.08 - Campeonato Brasileiro: São Paulo v. Palmeiras
Tarde fria e boa de ficar no sofá. Com o jogo de hoje seria boa pra dormir também. São Paulo e Palmeiras são, na minha opinião, os dois únicos times realmente profissionais do estado e por isso é triste que tenham se tornado, apesar da infra-estrutura com que podem contar, dois times melacólicos em campo. Não poderia haver placar melhor do que esse 1x1: o time da casa criando pouquissimo mesmo com a torcida a seu favor, e o rival com o maior plantel de jogadores com dois pés esquerdos da atualidade. Seria cômico se eu ainda não tivesse esperança que o meu time volte a liderar o brasileirão. Parece que a meta é mesmo só garantir a vaga da Libertadores do ano que vem, mas deixa eu reafirmar algo que eu disse ali em cima: todo torcedor quer que o seu time ganhe todos os títulos que disputa. E esse ano ainda não ganhamos nenhum, hein?
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