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26.3.17

a surprise, a sadness, an invitation

I was surprised to see our beautiful beach on The New York Times. There's no fashion or glamour around, our hype is the opposite of that. It's the absence of hype.  I can not see new yorkers wishing for all the peace, spending a whole day drinking beer on the water under the sun doing nothing... but many Americans come to visit every year, it's true.

I love Alter do chão. 

If you want to see what Amazon is about, you better do it before is too late. We will disappear pretty soon.

And Alter is hotter and prettier from September to January.


PS: Nobody ever offered saúvas to me.  

29.10.12

When October ends...

Photo: Paulo Santos (from Facebook)

28.11.11

Reflexões noturnas sobre cultura: o túmulo de Oscar Wilde

Acabo de ler na Folha que o túmulo de Oscar Wilde receberá a proteção de uma redoma de vidro para impedir que os visitantes do Père Lachaise continuem a beijá-lo, o que estaria sendo a causa de sua deterioração. Esta notícia me fez pensar novamente como as questões de gestão e proteção ao patrimônio cultural são complicadas, especialmente quando elas interferem na relação do público com o espaço/obra.


Quando estive visitando a França, mas principalmente na Itália, me surpreendi como o patrimônio cultural desses países sofre com o impacto depredatório das visitações, quase sempre desordenadas e de fluxo excessivo. Particularmente no Palais de Versailles e na Capela Sistina, o público não tem qualquer pudor ou preocupação com a manutenção das obras, disparando flashes descontrolados sobre pinturas ou entrando em levas que pareciam arrastões. Na Capela, a solicitação para que não fossem utilizadas máquinas era constante mas inibia pouca gente, e acabei passando a maior parte do tempo assistindo pessoas sendo expulsas de lá pelos seguranças do que propriamente admirando a obra de Michelangelo. 


(O que me faz lançar aqui um grande pedido: por favor, vamos parar com tanto preconceito e auto-crítica, inibindo o acesso do público brasileiro a seus espaços culturais sob acusação de que somos "sem cultura" ou irresponsáveis em relação a nossas obras. Europeus com todo discurso de civilização não são menos curiosos, falhos ou idiotas como nós)


Ainda assim, não posso negar a parcela de mim que lamenta essa decisão em relação ao túmulo de Oscar Wilde. Não cheguei a beijá-lo, mas essa visita teve um significado muito especial porque eu estava na companhia de uma amiga com quem compartilhei a leitura de "O retrato de Dorian Gray", e esse livro permeia toda uma época de nossas vidas, com nascimento de nossa amizade. Eu não tive a intenção de beijá-lo, mas preciso admitir que a visão do túmulo emociona. Com todas aquelas demonstrações de carinho e admiração através das marcas de batom, é impossível não compartilhar o sentimento.




Por isso, que me perdoem os radicais, mas não consigo considerar nesse momento a relação do público com o túmulo de Wilde predatória como a dos outros espaços que citei mais acima. Diferentemente daqueles que mal se dão ao trabalho de observar e conhecer o que visitam, fazendo dos objetos culturais mais uma mercadoria a ser ostentada através de fotos para os amigos, sem qualquer significado particular, a relação dos admiradores de Oscar Wilde se estabelece através do conhecer-reconhecer. Outros defuntos célebres do mesmo cemitério também recebem tratamento semelhante, como Jim Morrison que ganha latas de cerveja, flores e cantorias diárias das músicas do The Doors. Misturam-se, nos dois casos, práticas diversas que vão de celebrações (religiosas ou não) ligadas à morte, sociabilidades de grupos específicos e mesmo manifestações artísticas.


Não pretendo aqui encontrar uma resposta (tem gente muito mais qualificada e com experiência fazendo isso) mas me colocar também diante da questão: quando uma prática cultural como essa confere outros significados ao espaço, mantendo viva a memória e a simbologia do lugar, seria "certo" interferir, proibir, negar às pessoas a manifestação desse sentimento e valor? 


Eu entendo perfeitamente o dever de todo gestor em garantir a manutenção do patrimônio, perpetuando sua existência para futuras gerações. E assumindo esse olhar por um momento, é necessário reconhecer que o trabalho se dá com perguntas difíceis de serem administradas, como: onde reside a "alma" do patrimônio? A manutenção material é a necessidade mais importante? A liberdade de manifestação uns compromete a convivência de outros? 


Questões de tamanha sensibilidade talvez exijam muito mais políticas de conciliação e revisão do que respostas definitivas. Dependendo de outro objeto em questão, eu provavelmente não seria assim tão aberta a interferências e riscos. De qualquer forma, deixo o meu lamento pelas tantas pessoas que não terão mais a chance de beijar Oscar Wilde.